Por Farah Serra

Nossa como o tempo passa!Eu fui para Cuba em 2011 e um dos motivos dessa minha viagem foi para comemorar os meus 30 anos. Essa viagem foi marcante por vários motivos, a começar por esse dos meus 30 anos, além do choque cultural que uma viagem dessas nos faz.

Cuba (oficialmente República de Cuba) é um país insular localizado no mar do Caribe.

Antes de tudo, uma lição de vida

Cuba é uma lição de vida, pois te aponta o dedo na cara e te pergunta: “você está reclamando do quê?!”. Apesar de toda a situação política do país, que não entrarei no mérito aqui, a cultura deles nos sugere – e muito – como reclamamos de barriga cheia. E como somos consumistas deslumbrados! A sensação que eu fiquei ao rodar pela ilha foi a de que eles são felizes com o pouco que possuem. E isso se deve justamente ao fato deles desconhecerem o que existe de melhor. Eles não podem ser consumistas alucinados como nós, e isso não os estressam, não os fazem trabalhar como loucos, não os fazem sacrificar o seu dia-a-dia por conta daquela trágica relação valor/hora. Essa foi a principal lição que aprendi viajando por lá: a de que não precisamos de muito e nem do melhor para nos sentirmos felizes. (Ressalto que estou falando aqui de filosofia de vida e não de questões políticas.)

A viagem durou quase uma semana, viajei com a Copa Airlines no trajeto São Paulo (BR)/Panamá (PA)/Havana(CU). Fiz o trajeto inverso na volta. Fui em maio, uma época excelente, pois não era alta temporada e os hotéis não estavam lotados. Eu e o meu amore pesquisamos e programamos sozinhos esta viagem, mas como tivemos dificuldades de fazer as reservas pela internet, o jeito foi reservar lá em Cuba mesmo, com a ajuda do concierge* do primeiro hotel que ficamos em Havana.

Lá alugamos um carro e seguimos este roteiro:

1. Havana; 2. Cayo Levisa; 3. Viñales; 4. Maria La Gorda e 5. De volta em Havana para finalizar o passeio.

No aeroporto de Havana existem vários balcões de locação de automóveis, como: Cubanacar, Fenix, Rent a Car, Rex, Transtour e Via Rent a Car. Nos alugamos ali mesmo.

Roteiro em Cuba

Com certeza tem muito mais coisas para se conhecer, mas o tempo que tínhamos não era suficiente para ver tudo. Ótimo porque assim temos mais uma razão para voltar! 😉

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*Concierge é um profissional que normalmente fica em um balcão na entrada do hotel. Ele tem a responsabilidade de assistir os hóspedes em qualquer pedido que estes tenham, dos mais extravagantes ao mais simples como chamar um táxi, dar informações sobre o próprio hotel e seus serviços ou sobre a cidade e seus pontos turísticos, venda de passeios na região, locação de carros, reservas e indicações de restaurantes, ligar para farmácia, floricultura, etc.

**Em Cuba não há serviços do booking.com e não é muito fácil encontrar infomações de serviços pela internet. O mais fácil é encontrar uma agência de viagens especializada.

A la cubana!

A viagem começou com um pequeno probleminha… Assim que chegamos à cidade fomos buscar o carro que tínhamos alugado. Era um carro econômico e bem velho – embora o modelo fosse novo perante aos da população local!!! Andamos poucas quadras e o motor do carro começou a esquentar, paramos no meio da rua e ligamos para a locadora, quando tivemos o seguinte diálogo:

– Atendente: Voltem pra cá!

– Nós: Mas como? O carro está para fundir ou pegar fogo… tá saindo muita fumaça!

– Atendente: Venham devagar, parando, não tenham pressa…

– Nós: Mas tem certeza? E se o carro pegar fogo no caminho?! Não seremos responsabilizados por isso? Porque o carro vai fundir!!! Tá saindo MUITA fumaça!!

– Atendente: Não, não. Venham! Meu gerente não está aqui e não tem nenhum motorista que pode ir buscar vocês… Venham tranquilos e devagar!

Depois de pensar bastante e rir de nervoso, voltamos com o carro até a locadora. Chegando lá, só tinha mais um carro na loja, mas ele era de “luxo” (muito velho, mas de luxo!) e nós estávamos com um econômico, tipo um UNO antigão. A atendente não tinha autoridade para fazer um upgrade e também não localizava o gerente, por isso não conseguíamos resolver o problema. Bom, depois de algumas horas e muitas ligações, finalmente trocaram o nosso carro por um de categoria igual e pudemos então começar a nossa viagem!

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1. Havana

Começamos passeando em Havana, estacionamos o carro e fomos andar pelo centro da cidade. A cidade tem várias construções bonitas, mas é tudo um tanto mal cuidado. De toda forma é bem legal passear pelas suas ruas, ver aqueles carros antiguérrimos rodando ainda e as mulheres vestindo conjuntinhos ‘unicolor’. É muito legal! Elas usam uns combinadinhos com tudo 100% da mesma cor. Tipo amarelo dos pés a cabeça. Ficam até bonitas para dizer a verdade. Só não fiz fotos, porque não queria arrumar confusão.

Aliás, em Havana você precisa ter muita calma para não arrumar conflito. Pois os cubanos identificam os turistas rapidamente e os abordam com uns papos estranhos e logo começam a pedir coisas, não só dinheiro.

Eles pedem seus pertences, contam histórias melosas e cheias de intenções de te fazer cair na deles. A melhor coisa a se fazer é não dar trela. Peça desculpas e comece a andar. Como já tínhamos sido informados sobre isso, não dávamos corda e saíamos de perto rapidinho. Assim, não tivemos nenhum problema. Só um senhor que nos ofereceu um dólar americano, porque havíamos respondido a ele que não tínhamos dinheiro quando ele nos pediu, hahaha.

Boas Vindas!!!

À noite, enquanto continuamos a nossa caminhada pela cidade, sem querer, passamos por um restaurante com música ao vivo e com várias pessoas aglomeradas na porta e nas grandes janelas que davam para a rua. Quando nos aproximamos para ver, perguntamos ao garçom que banda era e ele nos respondeu: “Buena Vista Social Club” e completou dando uma risadinha: “com os que ainda estão vivos”. Lindos!! Todos bem velhinhos, mas com muito pique. Tentamos entrar, mas o local já estava lotado. Mesmo assim ficamos curtindo do lado de fora. Foi um super ‘boas vindas’. Não podíamos esperar por mais!

2. Cayo Levisa

Seguimos a nossa viagem, por uma estrada divertida e interessante. Divertida por ver aqueles carros antigos circulando normalmente; e interessante por ver todas aquelas placas com mensagens de Che Guevara espalhadas pela ilha. A paisagem também era bem legal e conseguimos ver bastante dos vilarejos e da população local.

Aqui merece mais um ponto de atenção: eles reconhecem os turistas pelo carro alugado. A grande maioria da população local não possui estes tipos de carros “mais novos” e logo eles começam a pedir carona e a puxar aqueles papos estranhos. Nós não tivemos problemas, mas não demos carona a ninguém. E sugiro que você também não arrisque.

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  Cayo Levisa é uma pequena ilha que fica a 4 km da costa. Tem um barco que faz a travessia, e você precisa ver os horários antes, porque não é constante. Como chegamos um pouco cedo, e estávamos com fome, nos informamos se tinha algum lugar ali por perto para comermos algo. O vendedor de bilhetes para o barco nos indicou uma casa a poucos metros dali. Então fomos lá, na casinha. Batemos palmas e perguntamos se era ali que vendia almoço. Um senhor nos disse que sim. Ele nos convidou para entrar e chamou a sua filha. Esperamos um pouco no quintal (junto com galinhas, gatos e cachorros). Logo a moça nos chamou para entrar e para sentarmo-nos em torno à sua mesa da copa. E assim ela começou a nos trazer travessas e mais travessas de comidas. A comida era simples, local (arroz, feijão, salada e peixe frito), mas estava tudo delicioso e até hoje me recordo dessa super-refeição na casa de um desconhecido! Comemos tanto que não vimos o tempo passar, quando percebemos já estava na hora do barco partir. Toca correr para pegar o barco!

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O trajeto do barco é curto, mas a paisagem é linda. Assim que se chega à ilha Cayo Levisa, tem uma longa plataforma que te direciona em meio à vegetação local até que de repente: “Uau! O paraíso existe!”

Esta ilha é s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l! Não tenho palavras para descrevê-la.

Tem só um resort (o hotel Cayo Levisa, que para o nosso deleite estava praticamente vazio) e mais nada além da praia de águas cristalinas e azul. E foi exatamente ali, que eu presenciei o por do sol mais lindo que vi na minha vida até hoje. Não é um exagero – veja as fotos! Foi um verdadeiro espetáculo de cores e nuances. O único problema eram os inúmeros pernilongos. Fomos devorados!!! Uns pernilongos pequenininhos, mas abusados. Além de picarem doído, eles picavam por cima da roupa e também o couro cabeludo. Ahhh! Foi um sufoco, mas o espetáculo estava imperdível!

3. Viñales

Depois de passar por Cayo Levisa partimos rumo a Vinãles, uma região linda, no interior da ilha de Cuba, cheia de montanhas e paisagens maravilhosas. Foi neste interiorzão que conhecemos o lado rural de Cuba. Ali nós vimos muitos residentes trabalhando em suas lavouras e também cruzamos com inúmeras espécies de ‘animais na pista’. Sem contar que também presenciamos um lindo por do sol.

4. Maria La Gorda

Ah! Essa é outra praia paradisíaca. E para melhorar quando fomos tinha um barman que fazia o melhor Daiquiri (drink típico) do mundo!!!

Essa praia estava quase vazia e tínhamos, praticamente, toda ela só pra nós. Foi uma delícia e uma verdadeira sessão de fotos! Principalmente quando percebemos que havia uma tempestade chegando pelo mar. Foi muito legal. Foi uma chuva de verão, ótima para dormir sem culpa depois do 3º ou 4º daiquiris! Após a sonequinha voltamos à praia e a curtimos até o final do dia. Claro que com direito a mais um belíssimo por do sol! Depois do jantar, que foi no próprio hotel, presenciamos outro espetáculo. Como tínhamos comido muito, resolvemos dar uma caminhada pela estradinha que ficava fora do hotel, e foi justamente nessa caminhada que descobrimos que nunca tínhamos visto TANTAS estrelas na nossa vida!! Ficamos ali por um tempão, vendo as estrelas, as estrelas cadentes, os vagalumes (também muitos!) e sendo devorados pelos pernilongos (que era muito mais do que todo o resto!). Depois de muito ser picada eu insisti para gente voltar para o hotel.

Tá certo, te digo a verdade, mas só aqui entre a gente, hein?! Eu comecei a morrer de medo da escuridão! Era um breu total que eu não conseguia nem ver o meu namorado que estava ali na minha frente! Comecei a ficar APAVORADA (!!!), nunca tinha estado em um lugar tão escuro antes!

Depois de Maria La Gorda, seguimos viagem voltando para Havana. Lá devolvemos o carro. E eu peguei meu avião para São Paulo e ele ficou mais um dia antes de voltar para a Itália. Foi uma viagem fantástica! E que com certeza ficará na nossa memória para sempre!

O amor em uma viagem…

Essa viagem a Cuba foi marcante por muitos aspectos. A começar pela celebração dos meus 30 anos, a passar pela lição filosófica de vida, pelas paisagens maravilhosas e pelos espetáculos da natureza, e por terminar com a decisão que tomamos: foi lá que decidimos viver juntos. Sim, foi em Cuba que nós tomamos a nossa grande decisão. Foi naquele lugar que eu, devido ao sorriso dele, decidi trocar o salário, o dinheiro e o trabalho no escritório pelas estrelas e Pelos campos de trigo.

Dicas sobre Cuba

Aqui vão 6 dicas importantes sobre Cuba:

1. O imperdível de Cuba é ver de perto a população local. Pois só assim se percebe a diferença cultural e se recebe aquela lição de moral que eu comentei no começo deste texto. Os cubanos não têm acessos aos resorts. A não ser que eles trabalhem por lá. Em lugares como Cayo Levisa e Maria La Gorda, a praia é restrita aos turistas. O que, em minha opinião, é um tipo de crime contra a população local. Em tese eles teriam mais direitos do que nós de estar ali. Por isso recomendo um belo giro de carro pela ilha. Só assim se percebe um pouco da rotina e dos costumes dos cubanos. Do contrário, você correrá o risco de ficar dentro de uma bolha, ilhado em um paraíso sem assimilar nada da cultura local.

2. A moeda local de Cuba é Pesos Cubanos Convertíveis (CUCs). Você pode comprar diretamente no aeroporto. Existe uma moeda para turistas e outra para os residentes. Os valores das coisas também variam. Tudo custa mais caro para nós – turistas. Mesmo assim é um país relativamente econômico em relação ao turismo.

3. Brasileiros precisam de visto, mas é muito fácil consegui-lo. Basta você pagar uma taxa. Ele é disponibilizado pelos consulados cubanos, mas também pelas companhias áreas e agências de turismo. Eu fiz o meu em uma operadora de turismo, especializada em Cuba.

4. Brasileiros também precisam tomar a vacina contra febre amarela e fazer a carteirinha de vacinação internacional. Isso é obrigatório e eles controlam na chegada do aeroporto. Junto com o passaporte você deve mostrar a carteira de vacinação. No site da ANVISA você acha todas as informações necessárias.

5. Leve repelente!! Tem muitos pernilongos por lá, mas não existe repelente para comprar!! Quando você for não se esqueça, de jeito nenhum, de levar o seu.

6. O melhor rum, não é o mais famoso. Em minha opinião o melhor rum cubano, se chama “Legendário, Elixir de Cuba”. Prove, é uma delícia!

Veja mais fotos de Cuba!

Na galeria do blog Pelos Campos de Trigo há ótimas fotos sobre Cuba! Clique aqui!!

Links úteis para a sua viagem

Aqui vai uma lista com alguns links interessantes para te ajudar com a sua viagem. Se tiver dúvida, é só fazer um comentário que eu responto!

Para encontrar um hotel bom e barato, eu uso o Booking.com. Mas eu tenho alguns truques aqui neste post com dicas para economizar na hora de reservar um hotel.

Outra ferramenta legal para encontrar passeios e tours é a Get Your Guide. Essa é uma empresa que seleciona tours em todo o mundo e você pode reservar os passeios com antecedência sem sair de casa. Os preços deles são ótimos e tem muita coisa em Português! Além dessa, eu uso bastante a Tiqets, que tem a vantagem de dar os bilhetes no celular, sem precisar imprimir.

Para quem viaja de carro, aqui vai um post com dicas para alugar um carro pela Europa. A lógica é parecida para outros continentes. Para comparar as tarifas das locadoras, eu uso o site da Rental Cars que já coloca todos os preços juntos e poupa um tempo danado!

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Créditos: MaboHH