Recentemente peguei um vôo para o Brasil, saindo do aeroporto de Frankfurt, na Alemanha. O destino era a cidade de Recife, o preço estava dentro dos padrões de um vôo para o Brasil, nem muito bom, nem muito ruim, o que pra mim isso quase sempre significa é “caro”.  PS: Ainda não entendi o porquê dos preços para o Brasil serem tão caros, enquanto ir para outro país na América Latina pode custar a metade do preço… mas ok, isso é assunto para outro post. A companhia aérea escolhida: Condor Airlines.

Antes de voar com a Condor

Se você nunca ouviu falar da Condor, estamos no mesmo barco – ou melhor, avião! Eu procurei um vôo direto para Recife e vi que uma vez por semana há um vôo de Frankfurt saindo para lá. Pensei que seria uma ótima opção, assim eu evitaria aquelas conexões malucas de ir pro Rio ou São Paulo e depois ter que voltar para o Nordeste. Normalmente, para ir pro Nordeste, eu escolho a TAP, saindo de Lisboa, mas como esse vôo da Condor era uma opção cujos horários e conexões seriam interessantes para mim, resolvi arriscar.

O vôo foi comprado em setembro e para a nossa supresa, a companhia aérea nos cobrou uma taxa de manutenção extra no cartão de crédito, somente por “operar” a compra. Esta tarifa extra não era aquilo que algumas vezes encontramos de “ah, se você vai pagar com cartão, então o valor sobe para X”. Não… Nós compramos o vôo, com o valor a mais por ser pagamento com cartão de crédito, e depois chegou uma taxa extra no cartão de crédito cobrada pela Thomas Cook, empresa a qual a Condor pertence.

Antes de voar, tivemos uma pequena mudança de planos e queríamos ver como funcionava para trocar o vôo. Fomos ao site da companhia aérea e… nada. Não há um sistema onde você pode verificar o seu vôo, horários e solicitar alguma troca. Tivemos que ligar para o telefone da companhia (que não é gratuito, by the way) e então, entendemos que não havia outro vôo disponível para nós, porque segundo eles, nossa tarifa não permitia trocas. Era voar ou perder. Vamos combinar que pagar 850 euros por um vôo não é exatamente um preço low cost, mas deixamos por isso mesmo e resolvemos voar no dia e hora marcados.

No dia do vôo da Condor

Saímos de Zurique às 7h05 da manhã e, por um nevoeiro no aeroporto de Frankfurt, nosso vôo se atrasou. Que azar, mas… isso acontece… A conexão iria ficar mais apertada, mas com um pouco de sorte, daria tempo de chegar. Quando chegamos em Frankfurt, a correria começou e eu senti que meu coração iria sair pela boca a qualquer minuto. Saí feito louca, tentando chegar ao portão de embarque o mais rápido possível. O portão B48  estava longe, mas a distância parecia ainda maior com o tempo apertado. Desce escada, sobe escada, ultrapassa velhinhos e crianças, pede licença pra um grupo de atletas e sai feito uma desesperada para alcançar o embarque! Chegando lá, o avião ainda com as portas abertas, ouvimos da funcionária mal humorada um belíssimo “este vôo já foi fechado”.

Cara… Ouvir isso quando você está com a respiração ofegante e suando feito um animal é uma tortura… Parece que quanto mais você esperneia, mais eles sentem prazer com a sua agonia. “Mas, moça, o avião ainda está aí, tem gente entrando! Viemos correndo da nossa conexão o mais rápido que pudemos!” “ISSO NÃO É PROBLEMA MEU”. Sério, ouvimos isso.Como assim não é problema seu, minha filha?! Vou deixar claro que a conexão de Zurique para Frankfurt foi comprada junto com o trecho para Recife, e a empresa Condor havia vendido este vôo, sendo assim, de responsabilidade da empresa uma eventual perda da conexão.Mas… algum iluminado começou a gritar escandalosamente ali mesmo no embarque!!! Foi surreal, mas funcionou. Yei!

De repente, abrem a porta do embarque e de lá sai uma comissária dizendo que ainda dava tempo da gente entrar!  A mocinha que disse que não era problema dela, teve que engolir seco e vocês já podem imaginar o humor com que ela recebeu nosso passaporte e o cartão de embarque. Mais uns instantes e todos os passageiros dessa conexão estavamos no avião tentando, de alguma forma, nos acalmar de toda essa tormenta… Pelo menos agora estaríamos tranquilos dentro do vôo com destino para uma das cidades mais turísticas do Brasil! Era o que a gente pensava, mas a história só estava no começo…

Entramos no avião e logo, notamos que o espaço não era muito bom, mas tudo bem, estamos acostumados a voar apertados… Num vôo de 10 horas isso é mais complicado, mas ok… A gente se distrai com os filminhos do avião e as horas passam mais rápido, certo?!Não se você tiver que pagar pelo sistema de entretenimento!!! O quê?! Eles cobram pelo filminho?!?! Sim, a Condor cobra um valor extra para ver a porra do filminho.

Eles oferecem dois filmes gratuitos, no meu vôo eram “Rio2″ e “Escrito nas Estrelas”. Se quiser ver outro filminho, tem que pagar.  Se quiser ver qualquer coisa que seja mais nova ou mais interessante, tem que pagar. Surpreso? Se você não tiver seu próprio fone de ouvido, tem que pagar por um também. Pois é. Ou você paga ou vê o filme no mudo! Toma essa Ryan Air!Nota: estou acostumada a viajar de low cost e entendo este procedimento em um vôo de 20 euros, até pagaria feliz pelos 8 euros do filminho extra, os 3 euros do fone e tudo o que tem direito. Mas esse não era um vôo de 20 euros, ainda que, pelo avião, poderia até ser.

Na poltrona da frente, chovia no passageiro, coitado. Não sei se era o ar condicionado ou algum problema interno, mas gotejava água bem na cabeça do indivíduo. A solução?! Deram um papelzinho para ele se secar! O banheiro parecia aqueles banheiros de busão leito, sabe de qual é?! Apertado, escuro e sem apoio, colocando à prova as suas habilidades de equilíbrio em pleno vôo.

Devo dizer que fora do avião a coisa não parecia tão ruim assim, mas bastava um olhar mais crítico para se notar que a Condor era uma empresa de qualidade duvidável. Eu deveria ter seguido meus instintos e ter comprado um vôo de uma empresa que eu já conhecia. E olha que eu não sou uma passageira crica, daquelas que mete defeito em tudo. Sou bem boazinha até! Já voei de Iberia, Tap, American, British, Alitalia, AirFrance e algumas que eu nem me lembro o nome, e não me recordo de ter tido uma experiência tão desagradável em um vôo internacional. Claro que cada companhia tem a sua vantagem, algumas são mais confortáveis, outras têm um sistema de bordo mais moderno, outra oferece uma comidinha mais gostosa, mas o que eu vi na Condor foi um descaso com os passageiros.

Bom, voltando ao vôo, depois de algumas horas de conexão, correria e espera, a fome começou a bater desesperadamente na gente! Quando a comida chegou, nem deu tempo de pensar, eu queria era devorar o que viesse pela frente. E devorei. A comida estava ok, não tinha nada de especial mas não dava pra reclamar. O vinho era cobrado à parte mas passou despercebido, eu só queria comida e água para beber. Normalmente o vinho está incluso nos vôos internacionais, estive pensando nisso depois… Mas como o vinho em avião nunca é lá essas coisas, tudo bem vai.

Dentro do vôo, alguns comissários foram bem simpáticos com a gente, o que amenizou a impressão ruim da equipe em terra e do call center, mas de forma geral, não recomendo a Condor para quem for viajar para o Brasil. É um vôo muito longo para escolher uma companhia aérea tão limitada, e o preço não compensa a ponto de se economizar alguma diferença boa. Portanto, evite!

Se algum dia isto chegar na equipe da Condor, gostaria que eles investissem no treinamento da equipe de atendimento e em terra, são eles quem estão em contato direto com os passageiros e podem acabar com a nossa experiência. Também acho que para um vôo de tantas horas é um absurdo cobrar pelo serviço de entretenimento a bordo, é até uma covardia. As crianças, por exemplo, se distraem um monte com filmes ou desenhos que já viram um milhão de vezes, e é um alívio ter uma criança entretida a bordo (tanto para os pais como para os outros passageiros)!

Finalmente, acho que se a Condor soubesse que eu escrevi este post enquanto não tinha nada para fazer no avião, eles teriam economizado as minhas palavras e talvez até ganhado um extra com a compra que você, leitor, poderia ter feito se este texto não existisse. Mas a vida é o que dizem, se um dia você é caça, no outro, é caçador!  Agora é esperar o vôo da volta e torcer para que a coisa seja um pouco melhor!

**Ps: Quando eu escrevi este texto, no avião, não sabia que a minha mala seria extraviada na chegada em Recife. Conversando com algumas pessoas na cidade, descobrimos que isso é recorrente em passageiros deste vôo.

**Ps2: Já voltei e o vôo de volta foi um pouco melhor que o da ida. Pelo menos na volta o vôo não atrasou, o preço do filminho era de 5 euros e as malas chegaram intactas em Zurique. Acho o sol de Recife liberou toda aquela vitamina D na galera da Alemanha e motivou a equipe!

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