São tempos realmente difíceis esses do Coronavírus. Hoje é 21 de maio e nós estamos de quarentena há 81 dias. Temos a sorte de poder trabalhar de casa e viver em uma cidade onde se respeita o “social distance”. É permitido sair para fazer pequenas caminhadas, esportes ou ir ao supermercado por exemplo. Mas é bem difícil manter a cabeça no lugar e o otimismo em dia em meio a uma rotina de confinamento. E a coisa se agrava quando escutamos as notícias globais. Parece que a tragédia é uma história lucrativa e a mídia se encarrega de publicar chamadas cada vez mais apelativas. Dá um certo desespero e muito desânimo ser produtora de conteúdo de viagens nestes tempos, mas eu não perco as esperanças.

Ao menos foi assim que me senti depois da conversa que tive com o Fábio sobre a situação do Coronavírus em Nova York. Ele vive na cidade e escreve o blog Dicas Nova York, sobre turismo. Ele também estava desanimado com a situação atual, mas em vez de reclamar sobre a quarentena, Fábio aproveitou para contar algumas histórias do bem. “Quero trazer boas notícias”, conta Fábio, que conversou comigo na nossa LIVE para o Instagram no último sábado, dia 16 de maio.

O papo rendeu mais que as notícias sobre a situação atual do Coronavírus em Nova York. Falamos sobre o que as pessoas tem feito na cidade, como está o confinamento e quais as propostas para solucionar esta que é uma das piores pandemias dos últimos 100 anos. “Jamais pensei que uma cidade como Nova York pudesse ter uma cara tão humana”, falou Fábio.

Fábio contou sobre as ações positivas que tem visto pela cidade, como por exemplo, o esforço da cidade em distribuir refeições para a população sem teto, que dependia indiretamente do turismo para sobreviver, antes da pandemia. A mobilização de voluntários e doadores é realmente intensa em Nova York e há muita gente engajada para diminuir os problemas acarretados pelo fechamento econômico. A cidade também se propôs a disponibilizar máscaras gratuitas para os seus moradores. Foram montados estandes de distribuição em parques e praças, para incentivar o uso das máscaras e limitar a propagação do vírus em espaços públicos.

Finalmente, gostei de saber das pequenas ações que fazem uma grande diferença no dia a dia dos Nova Yorkinos. Enquanto a polícia está nas ruas fazendo ações de mobilização, os moradores em casa fazem pequenos atos de amor, como por exemplo, um dos vizinhos de Fábio, que é trompetista. Da janela, o vizinho se apresenta com seu trompete, tocando músicas famosas de Nova York para quem se dispõe a ouvi-lo, esperando em troca nada mais do que algumas palmas, que vêm aos montes.

Além dessas histórias, Fábio também me contou sobre o seu mais novo projeto, seguindo a linha de propagar notícias do bem. Em breve, ele irá lançar um projeto chamado Brazilians of New York, que irá dar voz à população brasileira que vive em Nova York. Certo de que toda história merece ser contada, o projeto irá divulgar por meio de fotos e textos inéditos cenas do cotidiano inspirador de brasileiros que vivem por todas as partes da cidade, independe de sua condição social ou financeira. A ideia é motivar a cooperação entre brasileiros, promover a nossa cultura local nos Estados Unidos e promover uma corrente boa em tempos de grandes incertezas.

Uma coisa é certa: 2020 é um ano de mudanças. A gente não queria ter que mudar assim, tão drasticamente por causa de um inimigo invisível. Mas talvez possamos usar estes tempos para refletir e pensar diferente. Promover histórias inspiradoras. Produzir atos de bondade. Compartilhar energia positiva. E porque não, mudar o mundo.

Obrigada pelo seu tempo, Fábio! E seguimos !

Imagem destacada: Jon Tyson | Unsplash