A saga Tibet começou com muitos desafios. Passaria 20 dias viajando em altitude elevada, temperatura baixa, sem destino definido e com apenas uma mala de 20 quilos que teria que dividir com comida e saco de dormir.

Haviam poucas informações sobre o roteiro, precisava pensar em cada pequeno detalhe, pois não teria opção de comprar durante a viagem, caso faltasse alguma coisa.

Os preparativos pré viagem ao Tibet

Como sou vegetariana, teria que levar comida, afinal, precisava estar preparada caso não encontrasse o que comer. Metade da mala foi de alimentos liofilizados e produtos processados para aguentar uma viagem de 37 horas. Quase a outra metade, ocupei com tolha, produtos de higiene, remédios e o saco de dormir. Não ficaria em hotéis e usaria banheiros precários, o estoque de papel higiênico e lenço umedecido era grande. E a roupa? Não tinha mais espaço.

Fui preparada para um acampamento e encontrei conforto e abundância.

Ficaria 3 dias em uma cidade na China em pleno verão de mais de 30 graus. O restante do tempo em altitude de mais de 4 mil metros com temperatura que variava de 15 a zero. Imagina todo esse cenário para uma mulher que trabalha com moda. Tinha que encontrar uma saída para levar somente o necessário e ainda assim me sentir linda.

A mala cápsula

2 calças confortáveis, 1 blusa de lã pesada, 1 jaqueta térmica, 1 colete, 3 camisetas, 2 roupas térmicas, 1 vestido de verão, 1 bota, 1 tênis, 1 chinelo, 3 meias, 5 calcinhas, 2 sutiãs, 2 toucas, 1 lenço e 1 pashmina.

Precisava que isso virasse 20 looks confortáveis, quentes e bonitos.

Optei por cores neutras, mas o casaco era vinho e uma das calças verde militar. A Pashmina era listrada e uma das toucas (na verdade uma pescoceira) era dupla face vermelha e azul.

Só levei peças coringas que combinavam entre si. Tudo combinava com absolutamente tudo. E assim montei a mala cápsula.

As peças eram do inverno brasileiro, o segundo desafio era que tudo isso funcionasse no verão tibetano. Parece simples, mas com verão deles é frio e com altitude, tudo piora. As roupas térmicas que usaria por baixo, pesavam pouco e quase não fariam volume na mala. Tinha que funcionar. Era tudo que precisava.

A viagem ao Tibet

Na China morri de calor, mas o vestido fino combinado com o chinelo de dia e o tênis de noite resolveu a questão. Como não foram dias seguidos, não tive a sensação de estar sempre com a mesma roupa. Tinha apenas aquele vestido que funcionaria para os três dias.

No Tibet a estratégia usada foi me vestir como uma cebola, em varias camadas. Quando muito frio usava praticamente tudo, fazendo sobreposições. Quando calor, durante o dia embaixo do sol, tirava quase tudo. Era uma dança das roupas, colocava e tirava.

A versatilidade de tecidos que não eram muito quentes ajudou quando precisava de uma calça mais fresca, já as roupas térmicas resolviam a questão quando batia o frio.

Como o espaço era pouco, usava a roupas térmica para dormir dentro do saco e assim, não levei pijama. As camisetas, meias e roupas intimas lavei e não precisei de muitas.

Conforme a viagem foi passando, a mala esvaziou. A comida que levei ajudou muita gente, mas me surpreendi, por todos lugares que passei haviam muitos alimentos à minha disposição. Já os produtos de higiene usei todos e mais uma vez me surpreendi, em vários destinos encontrei banheiro e quartos para dormir. Fui preparada para um acampamento e encontrei conforto e abundância.

A comunicação verbal era rara, mas quem precisa de palavras quando se pode olhar.

O mais incrível nessa experiência foi encontrar a felicidade nos olhos de cada um que cruzava. Eles se vestiam com as melhores roupas para irem aos eventos que participei. Os acessórios eram variados, uma riqueza de cores e detalhes. E mesmo assim diante de tanta informação os olhos deles puxavam minha atenção. Tinha algo de novo ali, algo mágico, inexplicável de por em palavras. Era doce, quase ingênuo, muito sábio, simples e leve. A comunicação verbal era rara, mas quem precisa de palavras quando se pode olhar. Olhar de verdade, enxergar e deixar ser observada. Algo instintivo de reconhecimento em só olhar. Desses olhares nunca esquecerei e fui embora daquele solo sagrado saudosa com vontade de voltar.

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A Carol Camocardi é a nossa colunista de moda e escreve dicas para ajudar você a viajar com conforto, estilo e malas sem frescura! Par ler todos os artigos da Carol, clique aqui. Saiba mais sobre a Carol aqui no link da bio. E conheça os serviços exclusivos da Carol Camocardi para ajudar no seu estilo.