Terça-feira, 21 de novembro de 2017. Cheguei em casa, após uma sessão de cinema no Liberty Mall em Brasília, cantinho que adoro pela seleção de filmes cult. O caminho de poucos minutos passando pelo eixo monumental até o SMU parecia uma eternidade, pelo turbilhão de sensações que passavam pelo meu corpo e sentimentos explodindo meu coração. Naquela noite conheci melhor a história da Leticia Mello, que relata sua paixão por viajar e ajudar no documentário “Um dia eu voltaria”.

Eu sigo a página do cinema e recebi a notificação da exibição com antecedência. Fiquei curiosa. Lembro de ler no anúncio que seria sessão única e então comprei o ingresso assim que liberado. Esperei pelo dia com bastante ansiedade! Preferi ter um pouco de surpresa e me deixar envolver pelo filme, então não pesquisei tanto sobre o projeto. Apenas fui.

Estava no corredor da última fileira do canto esquerdo, pertinho da porta de saída. Vi a correria dos pais e amigos para ter tudo em ordem, reconheci a Leticia de longe. A sala lotada. Ela fez o anúncio e o filme começou. Lembro de me arrepiar do começo ao fim. Histórias surpreendentes, pessoas incríveis e lugares de tirar o fôlego. Fiquei emocionada com a narração, com a pureza das palavras e com o potencial de alcance que o amor tem. Naquele momento eu estava com uma viagem marcada para meu primeiro voluntariado no Peru e me senti acolhida com a experiência dela. A única certeza que tinha é que eu também estava no caminho certo por seguir meu coração, e que não estava sozinha.

O documentário mostra o retorno da Leticia em 2016 aos locais em que ela fez trabalho voluntário no sudeste asiático em 2013: Tailândia, Camboja e Vietnã. O documentário é 100% independente, com a equipe de produção formada somente por ela e Lucas Bogo, o filmmaker. Passaram 40 dias visitando os projetos, revendo os amigos e revivendo as belezas daquela natureza exuberante junto ao caos urbano. Com a venda das camisetas e do livro, que inspirou o filme, conseguiram as passagens e embarcaram nessa nova viagem. Assista ao trailer e sinta um pedacinho dessa emocionante aventura. São tantos os personagens, que fica difícil resumir. Apenas vejam!

Ao final da sessão, palmas em pé sem fim, seguidos de agradecimentos e curiosidades. Todos ali presentes sentiram o amor da Leticia. Foi uma experiência incrível. O filme transcende avaliações de diretores e volta à simplicidade de mostrar a experiência humana e a conexão entre pessoas tão diferentes, e ao mesmo tempo, tão iguais. Detalhe é que teve sessão extra, de tanta gente querendo assistir. Saí extasiada. Adquiri uma blusa “O plano é não ter plano”, que ajuda no financiamento do projeto, e fui compartilhar a felicidade que estava sentindo com meus pais.

Nos meses que seguiram, acompanhei o projeto Do For Love pelas redes sociais, enchendo a Leticia de mensagens de gratidão. Aqui o facebook e aqui o instagram. Acho que ela recebe inúmeras dessas mensagens, mas sempre me respondeu com cuidado e atenção. Virei fã de carteirinha. Vesti a camisa dela com orgulho. Espalhei sobre o projeto dela a quem pude. E recentemente, ganhei de presente o livro dela: “do for love”.

Devorei rapidinho as 200 e poucas páginas, me apaixonei pelos subtítulos, dei risadas com as bobagens autênticas e histórias inusitadas, me emocionei com os momentos difíceis, superações e com as reflexões que a Leticia compartilha. O sonho que ela tinha desde cedo em escrever um livro tornara-se realidade e o desejo de ser feliz estava estampado em letrinhas que se juntam e transbordam neste resultado.

O livro conta os seis meses vividos naqueles três países. A realidade dura, os perrengues e as histórias por trás dos personagens. A narração da Leticia é leve, fácil e cheia de detalhes que te fazem sentir viajando com ela. Parece que você conhece todos que acompanham a sua trajetória, que você também esteve lá. Acho que é tão simples e verdadeiro, que te traz essa sensação.

A experiência do documentário é diferente da do livro. É um complemento e ao mesmo tempo é bem fácil perceber a mudança no olhar da Leticia nestes dois momentos de sua vida. Recomendo fortemente que adquiram o livro (aqui) e tentem assistir ao filme (chegou ao Canal Futura, está sendo lançado agora nos Estados Unidos e em será seguida na Europa). É pura inspiração e emoção seu relato que eu gostaria de multiplicar seus leitores e seguidores do projeto.

Neste mundo de competição desenfreada, este blog acredita que juntos somos mais fortes e que a lei do retorno é pura e mágica. Nós compartilhamos dicas de viagens e queremos que as pessoas se inspirem com esse mundão lindo, cheio de oportunidades. Tem lugar pra todos e não estamos sozinhos.

Por fim, aprendi com a minha família a se dedicar ao trabalho com paixão, a se entregar de corpo e alma nas relações e a ter coragem para se fazer o bem. Pra mim isso é amor. Pra Leticia também. Do For Love.

 

Links úteis sobre a coluna Viagens de Impacto

A viagem ao Peru para trabalhar em uma ONG foi o que motivou a começar a coluna Viagens de Impacto. Você pode ler sobre a experiência nestes posts aqui: Quando o Trabalho Voluntário Transforma o Mundo, Primeiras Impressões e Rotina de Trabalho. A partir daí, a Mari escreve sobre outras viagens de impacto e reune diversas dicas e recomendações para quem quiser viajar assim também! A coluna está só começando e ainda tem muito conteúdo a ser divulgado! Não perca nada da série clicando aqui!