A Stephanie é uma amiga de infância que eu não via há muitos anos! Na verdade, há 16 anos, OMG o tempo passa! Apesar de ter passado tanto tempo desde que não nos víamos, ela continua com a mesma carinha de quando tinha seus 12 anos de idade!

Mas de menina ela só tem a carinha mesmo, porque a Stephanie se transformou numa mulher determinada e super corajosa, que recentemente encarou uma viagem que poucos se atrevem: mochilar sozinha na Europa, fazendo couchsurfing! Para quem não conhece, Couchsurfing é uma modalidade de hospedagem gratuita, onde você se hospeda na casa de quem oferecer um espaço, pode ser um sofá, um colchonete, enfim, um cantinho para dormir de graça! E a Stephanie nos contou como foi seu mochilão de couchsurfing pela Europa!

Como funciona o Couchsurfing?

Esta foi a primeira vez que eu viajei usando o Couchsurfing! Então eu nem sabia como funcionava direito, mas basicamente você cria o seu cadastro no site do couchsurfing e lá você pode tanto selecionar as casas disponíveis na cidade que você vai viajar, como criar um perfil público da viagem e as pessoas te oferecem uma casa nos dias que você vai estar na cidade. É tudo grátis!

A pessoa que te hospeda oferece um espaço na casa delas para você, e o que rola é uma troca de experiências e conhecimento. No final, todos ganhamos novos amigos e novas histórias para contar.

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Não achou perigoso viajar de Couchsurfing?

Esta é um pergunta que no Brasil tem sentido, porque a gente sempre tem medo deste tipo de coisa no nosso país… Me disseram que eu era maluca de ficar na casa de desconhecidos durante a minha viagem, principalmente viajando sozinha, e eu entendo o que se passa na cabeça quando alguém escuta sobre Couchsurfing pela primeira vez.

Mas não achei nada perigoso, pelo contrário! Tem que ter um certo cuidado, o próprio site do couchsurfing te proporciona algumas informações que te ajudam a avaliar quem são as pessoas que oferecem um sofá na casa deles. Há uma espécie de ranking e há avaliações de outros hóspedes sobre aquele host (pessoa que hospeda). Além disso, facebook, whatsapp, google existem para buscar ainda mais informações, coisas que ajudam a pessoa a não entrar em furada, mas de forma geral achei muito tranquilo. Eu sempre busquei ter mais contato com o host antes, até para sentir se a pessoa era meio freaky ou se era normal. E sempre foi tudo muito tranquilo!

Mas você não sentiu nenhum medo?

De jeito nenhum! Quem hospeda também teria um certo receio de hospedar estranhos, mas o que acontece é um respeito e confiança mútuos que provam justo o contrário. Em Amsterdam, por exemplo, fiz couchsurfing sozinha, o dono da casa era homem, solteiro. E mesmo assim, não rolou absolutamente nada, nenhum assédio, nada. Mulher, viajando sozinha, sempre bate aquela nóia, e sabemos de todos os riscos, mas eu avaliei conforme a conversa que eu tive com a pessoa, conforme os comentários que outros hóspedes deixaram sobre o host, conforme dados no facebook e outras redes sociais, enfim, também acreditei ser possível confiar na boa vontade dos outros, o que se revelou algo fantástico. Esta experiência me provou que sim, dá pra confiar nas pessoas e há muita gente boa no mundo disposta a ajudar sem querer nada em troca.

O que você mais gostou do Couchsurfing?

Além de ser uma forma de economizar na viagem, principalmente para quem vem do Brasil, couchsurfing é também uma maneira de ter um contato maior com a cultura local, sem ser aquele pacotão turistão, sabe? A pessoa que mora naquele local sabe quais são os melhores restaurantes, sabe as manhas das atrações, sabe da agenda de eventos da cidade, enfim, o que é realmente parte da cultura da cidade,  dicas preciosas que nenhum turista vai saber.

Você recomendaria Couchsurfing para seus amigos?

É uma questão de perfil. Não é todo mundo que vai gostar de fazer couchsurfing. Imagina que você vai se hospedar na casa de uma pessoa, não é um hotel! Então você tem que dialogar com a pessoa, contar suas histórias, também escutar as histórias dos outros, você precisa se adaptar aos horários, manter suas coisas organizadas, porque afinal de contas, estão fazendo um favor para você! Tem que ter bom senso, se você vai se atrasar, tem que entrar em contato, enfim, fazer a sua parte. Quem hospeda também faz a sua parte, por exemplo, alguns cozinharam pra mim, outros me levaram para passear, teve gente que até foi me buscar no aeroporto! Eles querem ajudar, conhecer novas pessoas, mostrar um pouco da vida deles, achei incrível. É uma experiência completa, tanto para quem viaja como para quem recebe o viajante.

Mas se a pessoa quer privacidade, quer só dormir no lugar sem interagir com ninguém, Couchsurfing não é para ela. Neste caso é melhor procurar um albergue ou um hotel baratinho que fica mais dentro das expectativas de cada um.

Como foi o roteiro da sua viagem?

Meu roteiro foi de São Paulo para Madrid. Em Madrid cheguei pela manhã e passei o dia inteiro comprando roupas (por azar, minha mala não chegou e eu precisava de roupas para poder viajar!) Na mesma noite já fui para o Marrocos, passando a noite em Marrakech. No dia seguinte, fui para o tour no Saara, passei 3 dias e 2 noites e voltei para Marrakesh, onde dormi e passei o dia seguinte lá. À noite, voei para Londres, onde começou o couchsurfing, já que, até então, tinha ficado na casa de amigos.

Depois de Londres, fui para Barcelona, Amsterdam, Praga, Budapeste, Istambul, Capadócia, Zurique, Paris, Roma e Madrid, para voar de volta para o Brasil. Destas cidades, Londres, Amsterdam, Praga, Paris e Roma fiquei em couchsurfing, e as outras fiquei com amigos. Budapeste foi o único lugar que tive que pagar um albergue, porque lá não consegui ninguém do Couchsurfing. E na Capadócia eu queria ficar num hotel, daí segui a recomendação da agência de viagens onde fiz o passeio de balão.

Ao total, foram 30 dias de viagem, gastando cerca de 30 euros por dia! Se eu tivesse pago hotel o custo teria sido bem maior! Fora que além de não gastar com hospedagem, eu planejei comer só em lugares baratos, e evitei gastos extras, como por exemplo, museus que não eram gratuitos, atrações mega turísticas, etc; eu só paguei aquilo que eu queria muito conhecer. Quem quiser visitar vários museus ou atrações, daí precisa se planejar direitinho para não faltar dinheiro no meio da viagem!

Quais lugares você mais curtiu?

A Turquia é TOP! Os países mais exóticos entram na minha lista porque são os que mais me despertavam curiosidade no Brasil. Claro que Londres e Paris são cidades únicas, mas ver uma cultura tão diferente como a da Turquia, conhecer as pessoas de lá, comer o que eles comem, enfim, toda a experiência vai ficar para sempre na minha cabeça, e por isso foi o que eu mais gostei!

Depois da Turquia, o Marrocos é o segundo lugar preferido. Tudo é lindo, o povo é lindo, eles são amáveis, calorosos, recebem muito bem o turista, as paisagens são lindas, ah tudo é lindo! E talvez empatado com o Marrocos eu coloco Londres, que é incrível, é aquele tipo de cidade que só uma vez não dá pra conhecer tudo, cheio de gente, vida, de movimento, uma cidade única. Enfim, viagem para marcar a vida!

AI GENTE EU ADOREI a coragem da Stephanie!!!

Que viagem incrível!!! E você, depois do que leu por aqui, se animou a fazer um Couchsurfing?! 😀  Quem sabe você não é o próximo a sair numa entrevista aqui no blog!

E boa viagem!